Sinto
falta da sua doçura! De me sentar no sofá da sala nas tarde de Domingo; da
tranquilidade que sempre me transmitiu; da sua serenidade, a forma complacente
e sábia com que caminhou pela vida!
Passou
pouco tempo (será que alguma vez terá passado tempo suficiente?), e estou
constantemente a lembrar-me dela, sei lá, de como gostava de lhe ter dado um
último abraço apertado, do que poderia ter feito ou dito… E ao escrever este
texto tenho saudades, as mãos tremem um bocadinho e aquele maldito nó na garganta
teima em voltar, aquele nó que só se desfaz quando os olhos deixarem de ser
teimosos e soltarem as lágrimas que insisto em prender.
Gostava
de ter a magia de voltar a ser pequenina, de poder reviver as manhãs em que
acordávamos a saltar de cama em cama no sobrado ao pé da cozinha e depois
descíamos as escadas com o cheiro a “escaldadinhas”! De ir à água na praia de
Sesimbra e ao olhar ver a avó debaixo do toldo, de bata vestida, a fazer renda.
De fazer bolos de terra e enfeitá-los com as flores do quintal! De saber que de
tarde teríamos a sua visita para ajudar nas lides da salsicharia! De ter sempre
uma costa ou um bolo folhado para nos oferecer! De me perguntar sempre como é
que estava, se tinha tido notícias do rapaz! De a ver sentada no banquinho do mercado!
Tenho saudades!
Não
sei se alguma vez se apercebeu disso, mas para além do amor e carinho que lhe
tinha, que lhe tenho, sempre a admirei, sempre foi um modelo para mim, um
modelo de bondade, de força, de saber enfrentar os dilemas da vida com uma calma
e sabedoria que a tornavam no ser especial que era, na mulher fantástica que
tive a sorte de ter como avó. A mulher mais doce da minha vida!
E
hoje dedico-lhe este dia!