terça-feira, 9 de junho de 2015

A questão das supermulheres ou a nossa sociedade com mentalidade ainda dividida por género?

Porque muitas de nós continuam a querer ser supermulheres e porque, tristemente, a nossa sociedade ainda tem uma mentalidade dividida pelo género, quando deviamos apenas agir e ser considerados enquanto individuos, independentemente de sermos homens ou mulheres.
 
 
«Nem a mais super das supermulheres pode levar as crianças à escola, atender os clientes no escritório, ir à hora do almoço ao cabeleireiro, voltar ao escritório onde a espera sempre um problema urgente, fazer compra...s num destes modernos supermercados decorados a néon, ler umas páginas de Kant antes de mudar as fraldas do pimpolho, dar um retoque na maquilhagem, telefonar a três "babysitters" antes de arranjar uma, ir ao restaurante jantar com os amigos do marido, discutir a última crise governamental e satisfazer as fantasias sexuais democraticamente difundidas pelos canais de televisão. Estou a falar, note-se, de mulheres socialmente privilegiadas. A vida das pobres é um inferno sem as consolações de que as suas irmãs de sexo, apesar de tudo, usufruem.»
 

sábado, 30 de maio de 2015

Sábado é dia de Feira da Ladra


Numa manhã de Sábado deste mês de maio, manhãs que ultimamente mais parecem manhãs de agosto, acordei cedo e rumei até à feira da ladra. Mesmo sem intenções de comprar nada, consigo perder-me por horas neste lugar tão peculiar, nesta feira cheia de tesouros e histórias, por onde deambulo por entre quinquilharias, roupas, brinquedos, sapatos, móveis, eletrodomésticos e toda uma pequena multidão de vendedores, artistas de rua, jovens que vendem as suas roupas usadas, hippies a vender “space cakes” e touristas a passar em tuk tuk , com escaldões de  primavera e máquina fotográfica na mão.
 
 
 

 

Uma feira onde podemos encontrar desde as peúgas aos molhos e em promoção, às mascaras africanas, aos produtos gourmet e regionais no mercado de Campo Santana e aos cães de loiça para guardar a entrada de uma qualquer vivenda portuguesa.
 
 
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E depois temos os meus preferidos, os tesouros com história, ou seja, as velharias, onde a minha imaginação ganha assas e por vezes até delira. Em que cozinhas ou salas de jantar terão servido aquelas loiças? Imagino senhoras bem vestidas a beber um chá num qualquer final de tarde, enquanto desabafam das maleitas da idade ou das “questões familiares”. Quem terá sido a dona daqueles sapatos e que meninos terão brincado com tantos carrinhos?

 


 


Descubro um carrinho de bebé talvez com mais de um século e fico a pensar no bebé que deve ter crescido, constituído uma família com história, história que levou a que aquele carrinho estivesse ali, à venda numa rua do Campo Santana. Talvez essa família tenha viajado, com uma mala de cartão como a que está mesmo ao lado do carrinho, e deixado os seus bens para trás…
 

 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

O tempo de Pietro


Neste mundo de prazos, datas limite, calendários e horários sempre apertados, em que andamos constantemente a correr, a querer responder a todas as solicitações, a tentar chegar a todo o lado, nesta vida em que o “tempo” nos parece escapar entre as mãos, por vezes encontramos sonhadores, personagens reais, mas que mais parecem sair diretamente de um qualquer conto infantil.

Personagens como o Pietro, que ao subirmos as escadas no centro da livraria Ler Devagar, nos convida a ouvir as suas histórias, a conhecer as suas criações e a entrar no seu tempo de sonho. Não é fácil descrever o tempo de Pietro, um tempo de um homem com olhos e sonhos de menino, que nos convida a viajar na sua máquina do tempo, a conhecer El Mosquito Loco, o Lopez ou a história dos dois corações desencontrados, no fado do amor.

As criações e o mundo de Pietro, ao contrário do que alguém um dia lhe disse, produzem algo incrivelmente valioso e cada vez mais raro nos nossos dias: sonhos. Permitem-nos entrar num mundo de magia, relembram-nos a importância de sonhar, na certeza que um dos nossos bens mais preciosos é o tempo.

«Desejo-te tempo!
Não te desejo um presente qualquer,
Desejo-te somente aquilo que a maioria não tem
Tempo, para te divertires e para sorrires;
Tempo para que os obstáculos sejam sempre superados.
E muitos sucessos comemorados
Desejo-te tempo para planeares e realizares,
Não só para ti mesmo, mas também para doá-lo aos outros.
Desejo-te tempo, para não teres pressa e correr,
Mas tempo para te encontrares a ti mesmo
Desejo-te tempo, não só para passar ou para vê-lo no relógio
Desejo-te tempo para que fiques;
Tempo para te encantares e tempo para confiares em alguém
Desejo-te tempo para tocares as estrelas,
E tempo para cresceres, para amadureceres.
Desejo-te tempo para aprenderes e acertares,
Tempo para recomeçares, se fracassares
Desejo-te tempo também para poderes voltar atrás e perdoares
Para teres novas esperanças e para amar
Não faz mais sentido protelar
Desejo-te tempo para seres feliz
Para viveres cada dia, cada hora como um presente.

Desejo-te tempo, tempo para a vida.»
 
 
 




 


 

 
 
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