Também eu, como me parece ter acontecido a milhares de portugueses, parei ontem à noite em frente ao televisor para ver o tão mediático regresso de Sócrates. Pois é, o vibrar com as coisas da política dá nisto, conseguir ficar duas horas em frente ao ecrã a ver a atuação deste verdadeiro animal político, ao ponto de me esquecer de jantar. Não basta a pesada herança que este deixou ao país e aos portugueses e eu ainda me privo de alimentar para o ouvir! Realmente, deve ser da falta do sol, falta de vitamina C!
Mas a minha atenta observação deste espetáculo, no dia mundial do teatro, levou-me apenas a verificar mais uma vez que de facto este homem é um bom comunicador e sabe manobrar como poucos a comunicação e a mensagem política no nosso país. Regressou passados dois anos, depois de se ter preparado para voltar e pronto para atacar os seus inimigos mais prediletos; dominou na entrevista e desenhou a realidade como quis e bem entendeu, descrevendo-nos mais uma vez o maravilhoso país de Sócrates.
Esta sua aparição abafou por completo o já ténue e debilitante desempenho de António José Seguro. Basta ver o pouco espaço que a entrega da moção de censura do PS hoje na Assembleia da República teve na comunicação social, completamente asfixiada pelos rescaldos da entrevista de Sócrates.
Depois ficamos a saber que afinal este não esteve bem a estudar filosofia em Paris, foi mais Ciência Política, porque como todos sabem a ciência política deriva da filosofia e agora o mestrado que Sócrates esteve a tirar denomina-se de filosofia. Bem, pelo menos foi isto que eu percebi, não sei se percebi bem, mas como a Sorbonne contínua a ter dois Masters um em Ciência Política e outro em Filosofia, fiquei confusa. Para além de tudo, enquanto estudava em Paris era perseguido pelo Correio da Manhã.
Mas pormenores à parte julgo que o mais importante mesmo é esclarecer aqui qual o verdadeiro embuste e onde é que está afinal a mão escondida por detrás do arbusto, ou de quem é a mão. E isso, José Gomes Ferreira vez melhor do que ninguém nos comentários pós entrevista na SIC Noticias. Um verdadeiro serviço público!

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