Há dias em que sentimos que não podemos adiar mais as coisas, que a vida passa, foge entre os dedos e nós não queremos ser apenas mais um mero espectador. É assim que me tenho sentido nos últimos dias, semanas, meses mesmo. Um sentimento de ausência, de desorientação, de insatisfação, da inutilidade dos dias, de fuga da vida. Mas a verdade é que essa, a apática, a indiferente, a acomodada, não sou eu, nunca poderia ser. E dou por mim a pensar no porquê? Para quê? Com que sentido adiar mais? Adiar as ideias; adiar as ações; adiar os gestos, adiar os sentimentos, adiar as iniciativas, adiar os projetos, adiar a vida!
Como é fácil cairmos nesta rotina asfixiante e enredarmo-nos em desculpas fáceis e cómodas para não nos enfrentarmos. Evitando simplesmente escolher sermos nós mesmo, com tudo o que isso possa significar e com todas as consequências que isso possa ter. E depois, num dia qualquer, sem um motivo aparente, lavamos a cara de manhã, espreitamos pela janela e sabemos que chegou o momento de sairmos da nossa concha (ou do nosso sofá!!!) e dar um bocadinho de nós, com o coração aberto para o que a vida e os outros nos possam vir a dar no retorno.
Este blog é um desses projetos adiados, daqueles que eu sei que me vai dar tanto gozo realizar e que, sem motivo aparente, ainda não tinha colocado em prática. Sabem os pacotes de açúcar com a frase “Um dia vou…”??? Pois tenho a sensação que hoje me calhou um com a frase “Um dia vou escrever um blog! Hoje é o dia!”J
E aqui espero poder partilhar o melhor de mim, daquela que gosta de expressar o que sente através da escrita, mas que também se perde com os amigos nas conversas em volta de um copo de vinho; que adora de paixão o Alentejo, mas já não consegue passar muito tempo sem ver Lisboa pela janela da sua sala; que vibra com as controvérsias da política, continua a acredita nesta como um meio para o bem comum, mas se desilude com o que os homens são capazes de fazer só pela sede de poder; que ama e protege a sua família, sendo também a primeira a criticá-la e a sentir-se incompreendida por ela. A rapariga tímida e estudiosa para uns, mas de riso fácil ou respondona para outros, com todas as minhas virtudes e defeitos, principalmente com todas as minhas contradições, mas que acredita que cada dia é um dádiva e que a vida merece mesmo que nós façamos que valha a pena e que não quer mais ficar na insegurança, na incerteza, no adiamento!
“…Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue toda a noite
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca…”
Acordar, de Álvaro de Campos

Gostei!
ResponderEliminarhttp://ourchoices4u.blogspot.pt/
Obrigada!
Eliminargreat !!!
ResponderEliminar:)
EliminarÁlvaro de Campos, o invicto!
ResponderEliminarO mais histéricamente, histérico dos heterónimos de Fernando Pessoa! Gosto mesmo muito!
EliminarVim aqui ter quase por acaso e identifiquei-me bastante com essa convicção. É que também decidi começar um blog, ainda estou a aprender, mas os objectivos são básicamente os mesmos. Boa sorte e muitas partilhas!! Encontramo-nos por aí!
ResponderEliminarMuito obrigada pela força! Julgo que o mais difícil mesmo é começar! Vou também espreitar e acompanhar o teu cantinho! Boa sorte e boas partilhas!
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