Para além da cor dos olhos, do cabelo,
da pele, se somos mais altos ou baixos, acredito que existem traços que nos
definem, que nascem connosco. Traços de personalidade, de postura, de maneiras
de ser e estar, que depois vamos aprimorando ou mudando ao longo da vida. Características
que cultivamos ou que, por já não nos identificarmos com elas, abandonamos e
tentamos esquecer.
Pensava nisto após ter ido ver o
documentário do Sérgio Tréfaut, Alentejo, Alentejo. Não sei se sou do Alentejo
ou se o Alentejo é de mim. Mas a minha verdade é que cada vez que faço a viagem
para sul de regresso a casa; que ouço alguém falar (ou melhor, falando) com
aquele sotaque tão nosso; que sinto os aromas e sabores da minha terra; que
tenho o aconchego do fogo na casa da minha mãe ou sinto o calor do final de uma
tarde de verão sentada no poial da rua, a sensação de paz e tranquilidade é
tanta, que transborda do peito. Esta é uma paixão, ou melhor um amor, daqueles
que a cada reencontro nos continua a dar borboletas no estomago e friozinho na
barriga.
E fico assim, enternecida e
nostálgica, mas cheia de orgulho, quando ouço o António Zambujo a apresentar os
cantadores de Vila Nova de São Bento no Coliseu, com a frase “senhores e senhoras, apresento-vos o meu
Alentejo”, quando vi este documentário numa sessão de cinema de Domingo à
tarde ou quando ouço um dos grupos de cantadores da minha terra na Casa do
Alentejo em Lisboa.
Independentemente da genuinidade, da
tamanha identificação, o facto é que este é um documentário das gentes da minha
terra, um documentário que vale a pena ver, que levanta um pouco o véu da
riqueza cultural e social do Alentejo e que espero que vos motive a querer
conhecer mais!


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