terça-feira, 11 de novembro de 2014

Alentejo, Alentejo


Para além da cor dos olhos, do cabelo, da pele, se somos mais altos ou baixos, acredito que existem traços que nos definem, que nascem connosco. Traços de personalidade, de postura, de maneiras de ser e estar, que depois vamos aprimorando ou mudando ao longo da vida. Características que cultivamos ou que, por já não nos identificarmos com elas, abandonamos e tentamos esquecer.

Pensava nisto após ter ido ver o documentário do Sérgio Tréfaut, Alentejo, Alentejo. Não sei se sou do Alentejo ou se o Alentejo é de mim. Mas a minha verdade é que cada vez que faço a viagem para sul de regresso a casa; que ouço alguém falar (ou melhor, falando) com aquele sotaque tão nosso; que sinto os aromas e sabores da minha terra; que tenho o aconchego do fogo na casa da minha mãe ou sinto o calor do final de uma tarde de verão sentada no poial da rua, a sensação de paz e tranquilidade é tanta, que transborda do peito. Esta é uma paixão, ou melhor um amor, daqueles que a cada reencontro nos continua a dar borboletas no estomago e friozinho na barriga.

E fico assim, enternecida e nostálgica, mas cheia de orgulho, quando ouço o António Zambujo a apresentar os cantadores de Vila Nova de São Bento no Coliseu, com a frase “senhores e senhoras, apresento-vos o meu Alentejo”, quando vi este documentário numa sessão de cinema de Domingo à tarde ou quando ouço um dos grupos de cantadores da minha terra na Casa do Alentejo em Lisboa.

Independentemente da genuinidade, da tamanha identificação, o facto é que este é um documentário das gentes da minha terra, um documentário que vale a pena ver, que levanta um pouco o véu da riqueza cultural e social do Alentejo e que espero que vos motive a querer conhecer mais!
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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