Sempre achei as bibliotecas sítios fascinantes! Gosto de vaguear nos corredores, descobrir coisas novas, convites para novas leituras. Gosto daquele cheiro característico dos livros, o cheiro do papel, de me abstrair do lugar onde estou enquanto abro um livro e descubro novas vidas, outras formas de pensar, conceitos novos, lugares desconhecidos. Mas gosto sobretudo do silêncio respeitoso que se nos impõe assim que entramos na sala de uma biblioteca. Senhores, este é o lugar sagrado dos livros, aqui é vos oferecida a viagem do conhecimento, façam o favor de entrar, abram as vossas mentes e corações, mas prestem-nos a vossa homenagem com toda a vossa atenção, com o silêncio do retiro da leitura.
Mas julgo que as bibliotecas conseguem ainda ser sítios mais especiais nos lugares mais isolados e com menos acesso à informação e cultura do interior. Nas bibliotecas das pequenas vilas do nosso país podemos encontrar aquele livro que nos vai possibilitar viver/conhecer outras realidades, mas temos também um lugar de partilha, de encontro, de combate à dolorosa solidão que se entranha na pele das gentes esquecidas do interior do nosso país. Tenho mesmo ideia de um estudo de há uns anos atrás que demonstrava que os suicídios tinham diminuído na região a partir da altura em que a biblioteca de Beja tinha sido inaugurada.
Faz hoje 9 anos que a biblioteca da minha terra foi inaugurada. Uma biblioteca com quase 4000 leitores num concelho com cerca de 8 mil habitantes, que para além da disponibilização de obras literárias, periódicos, CD, DVD e acesso à internet, tem ainda um serviço de biblioteca itinerante pelas aldeias do concelho, não esquecendo as atividades que desenvolve para os mais novos.
Parabéns e que venham muitos mais!


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