Ultimamente
não tenho tido tempo para escrever. Surgem mil e uma ideias, os temas são mais
que muitos, mas a correria dos dias, o acumular e atropelar das coisas a fazer
e, por fim, o cansaço sobrepõe-se à coragem de chegar ao final do dia e
conseguir alinhar as ideias em frente ao monitor.
Sou
invadida por esta sensação de incapacidade, quase impotência, de querer fazer
tudo, responder a várias frentes ao mesmo tempo e, obviamente, não ser capaz.
Acabo por ter que priorizar, mas fica sempre aquela sensação de estar em falta.
Com algo ou alguém, a sensação de não corresponder ou responder a todas as
expectativas que têm de mim. Esqueço-me com frequência que o mais importante é
estar de bem comigo mesma, saber, ter a certeza que estou a dar o meu melhor, que
todos temos as nossas limitações e que aqueles que verdadeiramente gostam de
nós vão estar sempre lá, a apoiar-nos e sabendo que nós damos o nosso melhor.
Apesar desse melhor por vezes quer parecer que é pouco, que sabe a pouco.
O
saber a pouco, tão diretamente relacionado com a tão frequente sensação de
culpa, culpa que nos invade por não responder e agradar a todos. Culpa por não
sermos super-heróis, culpa da tão natural limitação humana.
Na
aprendizagem da vida aprende-se quão inútil e negativa é essa culpabilização.
Que o que realmente importa é viver cada momento, dar o melhor de nós onde e
com quem estivermos, que haverão outras alturas para lugares e pessoas diferentes.
Mas onde estamos devemos estar inteiros. Só assim é que a vida nos pode
responder de volta, revelando todas as suas surpresas e múltiplas possibilidades
de caminho a seguir.
Hoje
vou de férias. Vou tranquila, certa que irei partilhar o meu tempo com pessoas
realmente importantes, mas sobretudo segura que estarei todo o tempo comigo
mesma. Sou feliz com a companhia, os mimos, a atenção e a partilha dos outros,
mas principalmente sou feliz comigo, sabendo que reservei tempo para as minhas
coisas, aquelas simples e pequeninas, mas que me dão satisfação e me completam.
Faço
planos e espera-me uma semana de praia, com passeios na areia e banhos de mar;
uma semana tranquila, com muitas leituras, conversas em volta da mesa, tempo
para escrever e para dormir. Assim o espero. Mas se assim não for, se os planos
se alterarem, se a vida me surpreender, respiro fundo e abraço com toda a alma
o que vier. O importante é dar o melhor de mim, nunca perdendo de vista que
somos nós que decidimos como devemos encarar cada momento, seja ele mais
positivo ou mais negativo, e sobretudo temos os poder de lutar para que os
nossos planos e a vida sigam caminhos cada vez mais paralelos. Nos entretantos
temos a felicidade das pequenas coisas de todos os dias!
Bom
fim-de-semana!

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