Nunca
gostei muito do meu dia de aniversário. Quer dizer, eu gosto de fazer anos, só
não faço é muita questão em festejar. Ou pelo menos não fazia. Isto até chegar
à bela idade de 30 anos. Nesse ano, e ao contrário de muita gente que conheço
que se horroriza com a ideia de ficar velho, estava tão contente por fazer 30
anos, que fiz uma das maiores festas de aniversário da minha vida! E que bom
que foi! E que bem me trataram os meus amigos! Um aniversário que ficará para
sempre na minha memória, na caixinha das boas recordações. J
Hoje
acabo por chegar à conclusão que para além de ser bom fazer anos é igualmente
importante e muito bom festejar. Afinal trata-se de celebrar a vida! E a vida
tem tantas coisas boas para celebrarmos.
A
idade ensina que é bom termos de nos confrontar com as dificuldades, as desilusões
e os constrangimentos da vida, que se assim não fosse, não poderíamos crescer,
definirmos como pessoas, apreender aquilo a que devemos dar valor e
subvalorizar o que não interessa; que se assim não fosse talvez nem valesse a
pena. Por vezes dói e outras vezes dói mesmo muito, mas apesar de ser um
lugar-comum, a verdade é que o sol nasce mesmo todos os dias e com ele toda a
vida e as suas infinitas possibilidades se nos apresentam à espera que nós as
agarremos.
Pois
é hoje sou mais velha, mas também sou mais eu, de bem comigo e com os outros,
num caminho de aprendizagem diária que me leva a querer celebrar a vida. Vou
cair muitas vezes, pois vou, talvez me arrependa algumas, também, mas hei de
acertar outras tantas e nos ziguezagues deste percurso espero encontrar a minha
verdade.
Mallu Magalhães - Velha e Louca

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