Na
sala de pequeno-almoço de hotel gosto, para além de experimentar todas aquelas
coisas que não comemos em casa, de ficar a observar as outras pessoas. O meu
lado de mirone vem ao de cima e fico para aqui a tentar imaginar a vida de cada
um, de onde vêm, porque estão ali, se estão sozinhos, de férias ou a trabalho,
deixaram alguém em casa à sua espera, sentem saudades ou aproveitam o momento
para fugir da rotina.
Hoje
gosto especialmente de uma mulher que está mesmo à minha frente. Na casa dos 30
e muito, talvez já quarentona, sozinha, vestida como quem está de férias, come
o seu iogurte com muesli enquanto se agarra avidamente ao Tablet . Não sei se
lhe dá noticias do seu mundo ou se será mais uma das tábuas de salvação a que
por vezes todos recorremos para nos alienar. Talvez queira acreditar na segurança
dos seus momentos ou viagens solitárias, apesar da certeza que importantes são
os momentos de partilha.
Acordo
da minha divagação quando esta se levanta e passa rapidamente pela bancada dos
bolos, tirando um brownie de chocolate, para depois sair da sala. Sorriu,
afinal somos todos tão parecidos.


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