sexta-feira, 14 de junho de 2013

Viagem a Budapeste

Quando posso gosto de aproveitar as viagens de trabalho que tenho para ficar mais algum tempo e explorar sítios desconhecidos. Desta vez foi Budapeste, uma das principais cidades do antigo Império Austro-Húngaro.
O método é quase sempre o mesmo e como da maior parte das vezes estou sozinha, não me parece que vá mudar brevemente. Andar a pé, percorrer as principais ruas, praças, sítios históricos, parques, sempre a pé, ou quando os pés gritam que já não podem mais, de transportes públicos.
E foi isso que fiz. Chegando no início da tarde, no 1º dia saio do hotel debaixo de uma chuva miudinha e irritante, mas que não me fez desistir. Percorro as margens do Danúbio e fico admirada com as pessoas que estão na rua. Indiferentes à chuva as gentes de Budapeste parecem ter saído à rua com uma vontade única de aproveitar este fim de tarde. As famílias passeiam a pé ou de bicicleta, as crianças brincam nas margens do rio e as mulheres correm, esbeltas, atléticas, elegantes, qual guerreiras a proteger a sua cidade. Fico a pensar, cheia de inveja, quando voltar para Lisboa vou começar a correr, também eu quero ter este porte atlético de guerreira. J







Neste primeiro dia dirijo-me ao centro da cidade, para a principal rua comercial (pois claro), a avenida Váci Uta. Uma rua cheia de movida, com muitas esplanadas, uma feira do livro e um ambiente tranquilo, no qual se aproveita os raios de sol que espreitam entre as gotas de chuva.



O passo seguinte foi para o Mercado da Cidade. É um hábito que tenho, ou não tivesse eu crescido praticamente dentro de um mercado. Gosto de mercados, das cores dos legumes e das frutas, dos cheiros das especiarias, do ruído das gentes. O mercado de Budapeste é bem grande, com dois pisos. No rés-do-chão encontram a parte alimentar, onde não faltam as banquinhas de paprica, tipicamente húngara. E no 1º andar existe uma parte dedicada à restauração, com os verdadeiros petiscos húngaros, com gente a comer, beber e a falar alto.








Comprada a paprica atravesso a Ponte da Liberdade e vou até ao Hotel Gellért ver as famosas piscinas de água termal. As interiores estão fechadas e dou apenas uma volta para observar as exteriores. Estranho ver todas aquelas pessoas na piscina quando ainda há pouco acabou de chover.


Passo pela Igreja na Caverna, escavada na montanha, que assim se encontra por ter sido o local onde o São Estêvão viveu. No miradouro demoro-me a ver a cidade, o outro lado, Peste, com a verde e metálica ponte à minha frente. O olhar foge para o Parlamento, a cúpula da Basílica de São Estêvão e para toda a grandiosidade desta cidade.





Budapeste conquista-me no 1º dia, uma cidade que ostenta, orgulhosa e simultaneamente o simbolismo majestoso do seu passado e a simplicidade com que nos recebe, convidando-nos a desfrutar do que tem de melhor, na simpatia de um povo moderno e com uma merecida vontade de se afirmar nesta Europa ultimamente tão decadente.
A melhor prova disto foi a forma como eu e todos os meus colegas de reunião fomos recebidos pelos nossos colegas húngaros.



No 3º dia tive novamente parte da tarde e noite livres e lá vai ela calçar os ténis ao hotel para nova caminhada. Escolho a direção oposta, sempre pela margem do rio, atravesso e passo para o lado de Peste.
Depressa chego ao Parlamento, que no exterior se encontra rodeado de obras, com máquinas e pó por todo o lado, pouco agradável a quem passeia. Como me avisaram que as entradas esgotam antes da 10h da manhã e são 5h da tarde, deixo o Parlamento para próximas oportunidades.
Uma música alta e com som agressivo chama-me até uma pequena praça, onde várias dezenas de pessoas se dividem entre banquinhas de comes e bebes e os pulos em frente ao palco onde toca uma banda de heavy metal. Não é o meu estilo e vou até à Basílica de St. Estêvão, ali ao lado, nova testemunha da positiva inconstância desta cidade. Mais um edifício a que não se pode ficar indiferente, com a sua cúpula de 96 metros, chama a atenção de vários pontos da cidade. Entro e fico estagnada com a opulência de figuras sagradas, frescos e talha dourada no seu interior.
Nos meus planos está fazer a maior avenida da cidade, Andrássy Utca, e chegar até ao parque principal de Budapeste. Ponho-me a caminho e enquanto ando sonho com as montras das lojas que preenchem esta Avenida, delicio-me com o edifício da ópera e penso como bem tratada, limpa e com espaços verdes está a cidade. Envolta nestes pensamentos chego à Praça dos Heróis e passo para o Parque da Cidade. Pronto agora é que entrei num mundo de contos de fadas, com castelos de princesa, lagos atravessados por pontes de madeira e campos reverdejantes. Mas a personalidade húngara depressa se revela, surgem mais piscinas termais, banquinhas de comes e bebes, até um campo com mesas de ping-pong e o anúncio do baby boom de 2013 no Zoo da cidade.





É de noite e estou de volta ao rio. Aprendi a fotografar de noite, sem as luzes ficarem todas desfocadas, acho que é do obturador da máquina, que só agora percebi como funciona. Fico tão entusiasmada, achando-me quase uma fotógrafa profissional, que me esqueço das horas e fico até tarde na rua a fotografar. Penso, tenho de contar a M e à C.




No dia da despedida fico pelo lado de Buda, onde fica o hotel. Os pés doem-me, acho que abusei nas caminhadas e também ainda não vi o Castelo de Buda. Pois, se os pés me doem se calhar não é boa ideia subir até ao castelo a pé. Teimosinha, lá fui eu escalando a íngreme subida e parando, muitas vezes, quer para descansar e me refugiar na sombra, quer para apreciar a vista. O Castelo faz-nos recuar no tempo, com as suas muralhas e fortes medievais, dando-nos a melhor das vistas panorâmicas sobre a cidade.
Na descida encontro uma cidade cada vez mais atarefada em se proteger das águas do Danúbio, que têm subido a uma velocidade alarmante nos últimos dias. As ruas estão cheias de voluntários que enchem sacos de areia para proteger os edifícios das cheias que se avizinham. Que sensação de aflição e de impotência não devem estar estas gentes a sentir perante a força da natureza. Devido à subida das águas uma das estações do metro fechou e vivo uma pequena aventura nos transportes públicos, carregada com a mala, vendo-me grega e não húngara, para chegar ao aeroporto. Mas, uma hora e meia depois, dois metros e outros dois autocarros, chego ao aeroporto dizendo adeus a uma Budapeste que se despede como me recebeu, com uma chuva irritante e a preocupação da subida das águas.



Sinceramente, espero que o rio não suba muito mais e que os estragos não sejam muito elevados. A cidade e as suas gentes não merecem.

Sem comentários:

Enviar um comentário

 
Blogging tips