Chego a Lisboa numa terça-feira à noite, já madrugada, com o cansaço acumulado no corpo, depois de várias horas de espera no aeroporto, e dentro do avião, devido à greve dos controladores aéreos franceses.
O cansaço é muito, é verdade. No entanto não deixo de pensar na noite de amanhã, dia 12 de Junho, a noite de St. António. Já há muito que as sardinhas comidas numa qualquer rua de Alfama estão combinadas e depois, depois é percorrer as ruas e ruelas desta Lisboa que nesta altura do ano revela tudo o que tem de mais genuíno.
Não sou de cá, mas já sou de cá!
Aprendi a amar esta cidade, aprendi e gosto de me sentir lisboeta. Gosto de viver num bairro dos antigos, com vizinhas empenhadas na vida alheia, mas sempre sinceramente prontas para ajudar no que for preciso. Gosto de no final do dia sair do trabalho e percorrer a Avenida das lojas caras, quiosques convidativos, turistas risonhos e pessoas bem vestidas e, ao fim de semana, ser recebida pela diversidade de rostos, cores, cheiros e barulhos da Almirante Reis. Gosto de me perder na feira da ladra e de ir às provas de vinho do Deli Delux. De matar o tempo nas ruas do Chiado e descobrir novos sabores no Martim Moniz. Gosto de nas noites de Maio ouvir a marcha da Penha de França ensaiar, enquanto como a minha sopa e sonho com a noite de St. António.
A noite em que Lisboa sai à rua, bonita e orgulhosa como ela é. Como sua apaixonada vou atrás dela, pedindo a St. António que para os amores me dê fé!


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